O conceito do PEF 2020

Por Juan Esteves

FOTO DE DAVID ALAN HARVEY, UM DOS CONVIDADOS DA SÉTIMA EDIÇÃO DO PARATY EM FOCO, EM 2014.

A Fotografia tem como papel intrínseco o posicionamento em seu momento mais contemporâneo e emergente, ao mesmo tempo em que valida a documentação histórica, conjugando assim sua permanência no que está acontecendo e o seu necessário legado memorialista através de documentos visuais e da arte estabelecida.

É certo que os eventos que promovem a fotografia são os principais difusores de uma produção tanto já consagrada como aquela em crescimento. Daí seu papel essencial na apresentação de novos talentos e na preservação daqueles que construíram a história dessa  mídia. Neste aspecto o Paraty em Foco Festival Internacional de Fotografia (PEF) constitui-se há 15 anos como liderança na apresentação e difusão da cultura imagética vernacular e internacional.

Nomes como Thomas Hoepker, Ralph Gibson, Pep Bonet, Claudia Andujar, Maureen Bisilliat, Miguel Rio Branco, David Alan Harvey, Loretta Lux, Claudine Doury, Claudio Edinger, Luiz Braga,  Pieter Hugo, Olivia Arthur, Cristiano Mascaro, Bob Wolfenson, J.R.Duran, Thomaz Farkas, Claudia Jaguaribe, Walter Carvalho, Christopher Anderson, Bruce Gilden, Evandro Teixeira e Arthur Omar, entre outras dezenas de grandes profissionais, ilustraram a milhares de participantes as principais tendências da imagem fotográfica produzida em países como o Brasil, Alemanha, Estados Unidos, França, Inglaterra, Espanha, Holanda e África do Sul, entre outros.

Em uma década e meia de expressivas transições conceituais e técnicas, o Paraty em Foco Festival Internacional de Fotografia, cuja 16ª edição realiza-se em setembro deste ano, teve papel relevante na cultura nacional e na divulgação da produção internacional, abordando temas pertinentes às manifestações sociais, artísticas e políticas, como os movimentos migratórios no planeta, tema da última edição em 2019. Agora, traz para 2020 a discussão premente e necessária sobre o Meio Ambiente, aquele que abrange tanto a natureza quanto as relações humanas de sobrevivência.

FOTO DE CRISTHOPER ANDERSON, CONVIDADO DA TERCEIRA EDIÇÃO DO FESTIVAL.

O tema  debruça-se substancialmente em duas vertentes que se acomodam na dicotomia entre o espaço ameaçado e aquele preservado. Ou seja, a amplitude da fotografia permite que a questão ambiental seja abordada em diferentes e ecléticos caminhos. Os caminhos curatoriais com certeza somam em vez de serem excludentes. É uma visão ampla da fotografia – e seus heterogêneos traços – mais que desejada, não somente por nós mas por todos participantes.

Se por um lado a imagem engajada se revela em produções necessárias, fotógrafos documentaristas cujo ativismo é essencial na interrupção de práticas que sacrificam o meio ambiente, por outro é certo que aqueles que se movem levados pela estese e pela arte, de maneira mais conceitual, também são mais que necessários. O papel da arte é de levar a diferentes e ecléticos leitores questões de uma forma diferente, mas não menos eficiente.

A imagem socialmente engajada, conhecida como uma prática social ou arte socialmente comprometida, deve incluir qualquer forma de fotografia que envolva pessoas e comunidades em debate, colaboração ou interação social em diferentes frentes. A “fotografia pública”, como praticamos na maioria das exposições, associada às mostras nos centros de cultura, é uma forma de experiência socialmente engajada, e um festival de fotografia como o Paraty em Foco certamente é comprometido na difusão mais ampla e sem discriminação  das diferentes tendências.

A crescente alteração do clima do planeta produz efeitos negativos que vêm sendo registrados por inúmeros fotógrafos. Não precisamos ir ao Ártico para ver que o descongelamento está mais rápido do que os cientistas previam, nem sair de casa para ver os efeitos danosos que o aumento da temperatura está produzindo na Amazônia brasileira. Junte-se a estes e temos nosso próprio dia a dia em inúmeras e diferentes regiões do  Brasil e do mundo com crises emergentes e com lugares importantes sendo tratados artisticamente.

Os fotógrafos que estão sendo convidados a participar do festival, seja para os debates, masterclasses ou para as exposições , cujos nomes em breve iremos publicar, trabalham tanto neste documental quanto na arte. A eles se somarão os selecionados pela convocatória que, em equidade, poderão mostrar sua produção para um grande público. Em meio a estes acontecimentos, a fotografia se impõe em Paraty.

Publicado por paratyemfoco2021

Blog do Paraty em Foco, festival de fotografia realizado em Paraty, cidade histórica do sul fluminense.

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