Reiko Otake, primeira colocada na categoria Foto Única da Convocatória PEF 2019, fala sobre a foto vencedora, sua trajetória e outros projetos nesta entrevista

Como foi sua trajetória na fotografia?
Sou fotógrafa amadora, me interesso por fotografia de rua, principalmente foto sobre
questões sociais e fotos de pessoas. Muitos fotógrafos me inspiram, como Bresson,
Sebastião Salgado, Claudia Andujar, Vivian Maier, gosto também do Tatsuo Suzuki,
Heloisa Lodder, Dorothea Lange…
Em 2018 participei de uma exposição coletiva no Armazém da Cidade, na Vila Madalena, em São Paulo, no mesmo ano tive um ensaio selecionado para a exposição “Imagens de uma Guerra Esquecida” onde as fotos foram transformadas em lambes e ocuparam a cidade de Natal, no Rio Grande do Norte. Participei também do Festival Internacional da Imagem, no Valongo, em Santos, através do VivaRua Fotografia.
Por que decidiu participar da Convocatória 2019? Já havia participado?
Faço curso de fotografia e na época da inscrição a professora falou sobre o festival e nos incentivou para que participássemos. A princípio não acreditei que o festival era para mim, pois ainda estava descobrindo esse mundo que já me cercava há tempos, porém tudo de forma muito intuitiva, mas resolvi aceitar o desafio e “expor” meu trabalho para uma avaliação e possível seleção. Fiquei super feliz!
O que representou a primeira colocação? Como foi a repercussão?
A repercussão que tive como selecionada e primeira colocada na categoria foto única foi
incrível, tive uma grande visibilidade, levando em consideração que o Paraty em Foco
atrai público de toda América Latina, sendo uma grande referência. Além disso, passei a
ter mais confiança no meu trabalho, sinto que foi um grande incentivo para continuar
estudando fotografia e seguir fotografando.
Fale sobre a foto vencedora.
A foto foi feita no rio Ganges, Índia. Já havia visitado o país em 2005 e
fiquei apaixonada pelo lugar, sabia que voltaria. Quando fui pela segunda vez, em 2018, a fotografia já fazia parte da minha vida e acreditava que esse retorno me renderia bons registros. Um deles foi a foto que apresentei no festival.
A imagem remete muito a migração, nela muitas pessoas estão confinadas num barco que as levaria para outra cidade, onde acreditam ter melhor oportunidade de vida e são “escoltadas” por aves que simbolizam a liberdade e esperança de dias melhores.
O que levou em conta na hora de escolher a foto que enviou?
O tema do festival foi relevante, pois acredito que a imagem nos faz pensar sobre migração, sobre o momento em que vivemos, com tantas pessoas abandonando seus lares em busca de uma vida mais digna, longe da miséria, da guerra…
Está desenvolvendo algum outro projeto atualmente? fale sobre ele.Sim, estou desenvolvendo um projeto sobre o bairro onde moro há mais de 40 anos,
especificamente sobre os moradores mais antigos. Vários casais estão juntos há
mais de cinco décadas, incluindo meus pais, e quero retratá-los.
Pretende participar novamente da Convocatória?
Sim, com certeza.
O que achou do festival em 2019?
Foi a primeira vez que participei do festival e adorei.. Infelizmente não consegui participar dos workshops, como fiquei poucos dias na cidade e num deles participei da mesa da Convocatória, não tive tempo para me organizar. Foi uma pena, principalmente porque tinha isenção no pagamento. Gostei muito da exposição, achei tudo bem organizado. Sou muito tímida e me senti bem acolhida e a vontade com todos os envolvidos. Uma sugestão é o valor dos workshops, sei que passamos por momentos difíceis na cultura, mas se os preços fossem mais populares o público seria maior.





